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30 de Março de 2020

Se não pode com eles... um pouco sobre Direito e Tecnologia

Novos tempos trazem tecnologias mais avançadas e a pressão para se adaptar pode ser ao mesmo tempo uma vantagem competitiva e um sofrimento. Como balancear isso?

Márcio Manincor, Advogado
Publicado por Márcio Manincor
há 11 meses

O Direito e novas tecnologias

Há doze anos atrás, qualquer um que dissesse que eu poderia me conectar com qualquer pessoa no mundo, compartilhar fotos, vídeos ou filmes e ter acesso a todos os meus documentos e ferramentas de trabalho, ao alcance de um comando (ou um clique), provavelmente seria considerado um louco. Foi mais ou menos nessa época que Steve Jobs lançou o primeiro iPhone, instrumento que revolucionou a maneira como nos relacionamos com nossa vida social e profissional.

Desde então foram inúmeras mudanças. Hoje, temos juízes fazendo audiências por whatsapp, softwares jurídicos auxiliando a gestão de escritórios de advocacia, análise de dados para advogados e até gente falando que robôs vão nos substituir daqui a pouco. No meio disso tudo, fica fácil se sentir meio perdido, não é?

“A medida do sucesso é a habilidade de se adaptar a mudanças.”

― Albert Einstein

Em meio a todo esse turbilhão de acontecimentos, a frase do célebre físico do final do século XIX e início do século XX não poderia ser mais adequada. Estamos constantemente pressionados a nos adaptar a novos contextos, novas meios de produção e novas tecnologias. Se já foi um grande desafio compreender o funcionamento de computadores e da internet, o que dirá das inúmeras aplicações relacionadas a eles que são desenvolvidas de maneira tão rápida.

Mas uma coisa é certa, não sou só eu que concordo com Einstein, o mercado pede pessoas com alto grau de adaptabilidade. O mercado o jurídico, por mais conservador que seja, está cada vez mais inflado e não fica pra trás!

Mas o que fazer para conseguir se adaptar?

O primeiro passo para se tornar uma pessoa mais flexível é tentar combater um vício que acaba minando a performance da grande maioria das pessoas: a auto-sabotagem (ou self-deception). Este é o sentimento que nos faz duvidar de nós mesmos e é um dos principais motivos para que tenhamos a sensação de não ser preparados ou capazes de desempenhar determinada atividade ou aprender algo novo.

Quantas vezes já ouviu alguém reclamar o quão difícil era para aprender algo novo? Se tiver a ver com novas tecnologias então, o murmúrio negativo é geral!

E é aí que começa o problema. Pessoas naturalizam essas ideias negativas e abortam qualquer chance de experimentar algo novo e, consequentemente, de se destacarem por isso!

Essa sabotagem remonta às épocas de colégio e de faculdade, em que éramos ensinados a gostar de uma matéria, escolher um curso, nos especializarmos em uma área e trabalhar com isso a vida toda. No tempo dos nômades digitais e do acesso cada vez mais democratizado ao conhecimento, saber controlar o sentimento de auto-sabotagem se faz ainda mais essencial.

A necessidade de se abrir para coisas novas

Há cerca de quinze anos atrás, quando trabalhava ainda com o contencioso de massa de um grande banco, tivemos um problema extremamente sério com relação a ações questionando prejuízos de clientes em face dos planos econômicos da década de 90. O fluxo de ações contra o banco, como é de se esperar, era muito alto, e nosso maior desafio era conseguir responder a todas elas há tempo.

Na época, uma das coisas que mais me ajudou foi utilizar o sistema do banco para organizar e gerir os prazos, assim como um primórdio de automatização de peças com a mala direta. Era um sistema rudimentar e nada fácil de operar, mas as ações continuavam chegando e geri-las manualmente não era uma opção viável. Gastei um tempo longo para conseguir fazer o sistema ficar funcional, mas valeu a pena e acabei sendo bem recompensado por isso - se tivesse gastado esse meu tempo com reclamações, eu provavelmente não estaria onde estou hoje.

E não me entendam mal! Não é preciso ser um expert da programação ou saber de tudo sobre análise de dados para conseguir utilizar ferramentas poderosas que podem elevar a sua performance. Hoje, empresas que fazem tais ferramentas têm uma preocupação enorme com a experiência dos usuários e tentam deixar tudo o mais simples possível de utilizar.

Quando vejo as propostas do Jusbrasil Automação ou mesmo do Escritório Online, só consigo pensar no tempo que gastava organizando aqueles programas arcaicos e pouco funcionais e nos resultados que conseguiria ter obtido com um software jurídico desses em minhas mãos 🤦‍♂️

Inclusive, é bom lembrar que estão abertas as inscrições para o workshop do Jusbrasil Automação! O produto está ficando incrível e promete revolucionar a maneira como advogados produzem documentos jurídicos, vale a pena conferir!

>>> Para se inscrever no workshop, é só clicar aqui.

Quaisquer dúvidas ou opiniões, é só deixar um comentário por aqui ou me mandar uma mensagem. Sugestões, como sempre, são mais do que bem vindas

2 Comentários

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Foi um trabalho monumental adaptar-se a maquina de escrever no inicio do seculo passado. O mesmo acontece desde o inicio deste seculo com a modernização do judiciário com os procedimentos eletrônicos. Lembro de meus filhos, na época com 16 e 17 anos lecionando para os funcionários do fórum de minha cidade os editores de texto da Apple e dos XTs. Uma das funcionarias, então diretora do Fórum, não se conformava em aprender com um garoto que ela tinha trocado as fraldas quando os levava para passear na praça. Vez por outra iam socorrer as panes da delegacia, quartel da PM e do Fórum. A unica coisa que permanece estática ainda é a certeza da morte, pelo menos por enquanto na minha classe social, nas mais altas quem sabe? continuar lendo

Adaptações nunca são processos fáceis, @jorgerobertodasilva18! É incrível como alguns ainda teimam em ver idade como aspecto limitante de capacidade das pessoas, quando temos tantos jovens brilhantes e pessoas mais velhas super dinâmicas com quem todos podemos aprender mais um pouco. Esses processos passam sempre por deixar de lado o orgulho e se abrir para novo conhecimentos, não importando de onde tal conhecimento emanam.

E parabéns pelos seus filhos, são pessoas assim que avançam o cenário da conexão entre direito e tecnologia em nosso país! continuar lendo